Sábado sonso,
calor tedioso
preguiça do sono
vontade nostálgica:
- Ôh coisa chata!
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MONÓLOGO
Quando o tempo escorre
pelas mãos,
e você perde aquele prazo
de inscrição
bate aquela sensação
de fracasso
o grito engasgado,
a janela fechada,
o tique nervoso;
simbolizam o meu
pedido cauteloso
de: - DEIXEM-ME EM PAZ!
[2010]
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PSICODRAMA
Acordei... sem dormir,
você passou e eu não vi
o vento trouxe pingos
molhados de refresco
e eu aqui girando em
círculos falando sobre
o tempo...
Contemporânea III: tudo mudou!
E assim você se esquece da
calçada em que pisou.
[2010]
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ALEGRIA
Chega de mansinho
com seus primeiros raios
contagiantes:
isso é um abraço de sol;
No início da tarde cega
teus olhos e te entorpece
de cores vivas.
Aí você reclama, reclama...
E com isso eu tenho sonhado
com o tempo;
e ele desmaia:
alegria de prisma.
E eu me calo:
escuridão caótica.
[2010]
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PIADA
Quando perto, não tenho
Quando se tem, tá longe
Quando aparece, eu estrago
Quando conserto, vai embora
Quando encanta, ignoro
Quando é recíproco, acaba.
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SEGUNDA-FEIRA
Ideias desconcertadas,
objetos de companhia
e o que pensou
deu errado,
mais um diálogo
fora cortado;
O velho pc parado
e o som mais nostálgico
rolando... uma, duas vezes...
O vento se repete lá fora
e a busca constante em abraçar
o sol ainda segue.
[2010]
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PRÉ-HISTÓRIA
Arqueólogo do passado:
por que quer restaurar
o esquecido?
Por que quer deixar
pistas discretas?
Eu não entendo suas frases
feitas;
eu não entendo por que sempre
surge na diagonal exata do meu
caminho...
Arqueólogo egoísta:
por que achas que só
o seu tempo é curto,
e que eu vivo de cabeça
pra baixo no ócio?
Eu não entendo por que
testa a minha memória;
eu não entendo por que
julgas a minha paciência...
Arqueólogo sádico:
por que gosta de ver
o meu penar?
Por que tece sorrisos
com o meu ódio, fingindo
não se importar?
Tola eu, que nem ao menos
sei disfarçar...
Mais ainda hei de provar,
que sou mais forte do que
eu;
e se enganar-se é o certo,
vou continuar errando para
lhe mostrar que os "códigos"
não são feitos para decifrar.
[2010]
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CORAÇÃO DE VIDRO
De saída,
jogo as flores
que tu me destes
na calçada.
Já passa da hora,
meus pés cansados
já não aguentam mais
o salto, o equilíbrio...
Eu não penso em nada,
somente no fato de que
aquelas flores não me
serviam para aquele
momento e também
para momento algum.
Sob o meu desprezo insano,
lapsos de pensamentos:
- Por que não me destes
um buquê de brócolis ao
invés das pobres flores?
Pelo menos eu poderia
prepará-lo para o jantar.
[2010]
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FUTILIDADES
Rímel à prova d´água
para a tristeza inacabada,
Pó e base para o cansaço diário,
Corretivo para apagar o ódio amigo,
Lápis preto para firmar a indecisão
sobre escutar essa ou aquela canção,
Blush acrescenta coragem e inspira
adrenalina,
Sombra espanta o tédio e elimina
a neblina,
Gloss trás o brilho do sol no
fim do dia,
Esmalte e perfume oferecem o
retoque final para esse poema
de futilidades
(o qual levanta o meu astral).
[2010]
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DIAGNÓSTICO
Depressão pós-sono,
Não se sabe o que se tem
apenas sai por aí pra
caminhar sózinha,
Não há caminhos fáceis
de achar debaixo de seus
pés...
O relógio não marca o que
se tem de fazer,
o dicionário não oferece
respostas...
Não há paciência, nem euforia...
Hoje o sol não apareceu;
A única conversa foi encerrada.
Como tirar essa síntese?
Restou baixar uns alternativos,
escrever meias palavras.
Não se tem sabão, nem chá,
nem ao menos um balão ao
estilo expressionista alemão.
Tem-se cores primárias e angústias
guardadas na gaveta;
os mesmos lugares, as mesmas
pessoas,
o velho café que causa a insônia
do desespero...
Restou a inveja da tristeza alheia
ou a alegria decodificada.
Restou aquela velha ternurinha
perdida.
[2010]
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