
O VELHO ARCADISMO
Ela não entende de pontos cardeais,
não é de aceitar desculpas
sua mágoa é mais forte do que ela...
Admira camisas xadrez, gosta do velho renovado,
assim como a luz azul sob os olhos e o cabelo bagunçado
Gosta de alterar cores e deixar as coisas chamativas, isso
pra ela é alegria,
Observa o andar das pessoas, fica pensando sobre o que eles
estão pensando; odeia bochechas vermelhas e o padrão clássico
do arcadismo;
troca de esmalte toda semana, tem síndrome de futuro, não gosta
de desmarcar o combinado;
não vê de longe, mais tenta adivinhar, não vê o óbvio mais vê o
absurdo impossível;
Tem medo de altura, de coisas pequenas e de olhares penetrantes;
se pudesse seguiria o sol de inverno, mas não podendo, desenha-o
em papéis. Pensa mais nos outros do que nela mesma...
Quem deveria pensar nela?
[2010]
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AINDA MAIS AINDA
Os fortes enfraquecem, assim como quem era normal
hoje apresenta surtos
Os orgulhosos pedem desculpas e os superiores respostas
Sinto-me vazia dentro de mim, arranco fiapos de cachecóis
e com eles faço emaranhados de raiva
Abomino as conversas alheias, assim como as alfaces amassadas na feira
Eu não queria ser o amanhã, ser o hoje já me pesa na alma
Quem me pisou ontem, hoje puxa a cadeira antes de eu sentar...
Não compreendo esse tempo, não decifro o espaço, minha sombra
é o tédio, movendo-se por toda a circunferência
Os verdadeiros já mentem, os sonhadores desistem;
eu não tenho mais a mesma coragem de ontem e percebo
que os calmos já levantam a voz.
[2010]
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EQUAÇÃO DE BASKARA
Por quê a gente fala com quem nunca viu?
É mera tolice?
É a equação de Baskara.
Aquilo, a qual eu nunca sei fazer.
E no final o resultado nunca bate.
E na covardia de não me entenderem no tornar-se quem se é.
Decifrar.
Decifrar.
Decifrar.
(Só os chatos se repetem)
[2010]
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ÓCIO
Alienada na analogia.
Não querendo mais
escutar histórias,
pois já conhece o
final de todas
Se não conhece pelo
menos suspeita;
intriga ou desconfia
Por que sempre o que
achamos de errado acontece
e sempre o que queremos
é impossível.
Exigir o impossível
é inútil,
e ser inútil é
algo que incomoda;
Ou pelo menos é o que parece.
[2010]
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"PEN"
Posso esquecer do que me entristece
em uma tarde
Mais na manhã seguinte
vou me lembrar da tristeza
que me incomoda,
Estou em descrédito comigo mesma
Às vezes o papel me falta
a caneta não compensa
Essa agonia que desatina,
poderia mutar em um assalto
de felicidade;
Há dias em que nada me
acalma, assim como há
momentos em que a busca
do sossego é primordial
Preciso de um gole sagaz,
preciso lembrar de mim,
e sair por aí, na passarela do desapego
Esqueço do sol, das nuvens cúmulos
e do vento que toca meu rosto
Preciso tirar farpas, polir as
palavras e datilografar meus sonhos
Posso esquecer do que me entristece
em uma tarde e hoje eu vou fazer questão
disso.
[2010]
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