quinta-feira, 15 de julho de 2010

Fase: Consciência de mim.



UNDERGROUND


Noite de garoa
Neblina nos olhos
Monotonia no subúrbio punk
Apenas diálogos com o lixo
É o luxo?
É a arte do ofício!
É o ócio produtivo
Uma mente com três acordes
E um relógio com três horas

[2008]
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BOLA DE CRISTAL

Duzentos sonhos e muito sono!
Bom mesmo deveriam ser as
maluquices não televisionadas
que aconteciam na Factory,
o lendário estúdio...
Se não consegue respostas
fáceis de saída, fique com
aquele olhar parado e procure
ver tudo colorido como um painel de Pop Art.

[2008]
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CONSTRUÇÃO

A chuva isola o chão
A flor que brota do concreto toca o vácuo
Harmonia solitária
Três lados, três acordes
Sintonia dissimulada
A chuva que escorre pelas valas
é a mesma chuva que transita
pelos telhados e molha esta mesma flor
Ainda falam em flores,
Ainda esperam a chuva,
Ainda se prendem pelo
concreto.

[2008]
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(...)

A interferência é tão grande,
eu vejo cores!
Me sinto abstrata,
essa luz me ofusca
assim como os teus olhos
me cegam
Maresia urbana...
Verso, consolação, fumaça...
Odeio-os sim! E a esses com calma
aborreço!
Eu quero chegar logo sem acolher
o instante,
deixo o tédio: escravo do tempo
Porém gosto do verão, eu invento
nos dias de sol, e sei que o comodismo
é a injustiça da liberdade
Penso bastante!
E a vida é todo o espaço de tempo
que temos para pensar
Por isso pense o que você escreve
e escreva o que você pensa,
porque depois que eu perder
a memória vou me lembrar de tudo
Caminhe na pista dos sonhos perdidos
Esqueça os finais!
Pois este é infinito
E eu não quero dormir
Pra lembrar de esquecer...
A poesia chegou até mim!
Não compreendo intervalos
A minha cólera furou o asfalto,
quebrou a vidraça, distorceu a alma
e não encontrou uma saída
Eu grito em português!
Desespero do delírio,
o fim do mês, o fim do mundo...
Minha vida se resumindo
em histórias e mesmo de uma
forma obscura compreendi
o que se podia fazer com ela
Meu verso jamais faz silêncio,
não se traduz, dói nas veias
Desse impossível chão brotam
palavras, idéias...
E resta agora aquela vaga sombra na
parede, não posso fugir de mim
é muito arriscado

[2008]
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