domingo, 23 de agosto de 2009

Fase 2009: Senta que lá vem poema!


























PROFISSÃO

Mundo vazio luz q me guia,
nefasta magia que rodeia o meu ser
Divagando por entre células,
caminhando por impulso;
entre o tango e o punk inglês...
já não tenho mais vida!
Não sei mais o que me
dá energia...
A minha História que já
passou por tantas coisas:
- pela filosofia, pela geografia,
pelo direito, pelo torto,
pelas confusões químicas sociais;
escorregou-se dentre as arquiteturas
urbanísticas, tornando-se pura literatura
platônica.

[2009]
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"THE END HAS NO END"


O meu último poema será
como uma música ensurdecedora;
com estrofes pulsantes,
versos dançantes...
O meu último poema chegará ao fim
junto comigo: quando eu não for
mais eu, quando o papel não tiver
mais linhas, a caneta não tiver mais
tinta e eu não tiver mais o que pensar
O meu último poema
não será arrependido,
muito menos deprimido
Será como um céu em fim de
tarde, colorido a energizar
O meu último poema,
entenda como quiser,
não tenho nada a declarar...
Não me faças perguntas!
Deixe o pensar na cabeça,
Afinal, este é o meu último poema.

[2009]
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ALITERAÇÃO



Sorte travada do trevo de quatro folhas
Ficar ou partir?
Não há trato, não há nada...
O troco é seu troféu;
deixou suas xícaras de café sobre a mesa
e na trilha das trevas pegou o trem
Seu trago não se traduz,
o olhar dissimulado engana qualquer um
Desenha sua tristeza através das interrogações,
traumas, depressões;
e assim faz sua trilogia
Não sabe para onde vai, é da tribo
dos loucos, só quer desanuvear...
No reflexo da janela vê o seu
retrato, que não era mais como
o dos velhos tempos:
não tinha aquelas rugas,
aquelas mãos,
se esquecera de tantas coisas,
já não gostava mais dos três
acordes...
Queria mudar e confundir!

[2009]
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INVEJA BOA

O poema vai além d´alma...
Invejo tuas mãos que
Tocam as folhas por
Mim escritas
Invejo não te conhecer,
Mesmo talvez não querendo saber,
Ou querendo dizer
O que realmente escrevi.

[2009]
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SÍNDROME DE FUTURO



Ao procurar uma solução:
síndrome de futuro
O que vai fazer com você?
Não vai mais festar com ninguém;
Não vai mais sair por aí;
Aonde vão estar todos?
Aonde você vai estar?
Síndrome de futuro...
Não vai mais falar ao telefone;
não vai mais alterar os horários;
não vai mais fazer o que bem entender...
Isso tudo pode chegar, pare de pensar!
Isso tudo vai chegar... e hoje estou
Com síndrome de futuro!

[2009]
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AMIGO


Estilo jônico
Do ridículo:
sempre de mal-humor
e olho de vidro
Estilo jônico do ridículo:
nenhuma novidade e nenhum sorriso
Estilo jônico do ridículo:
poucos adjetivos, pois não
merece muitas linhas.

[2009]
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BOWIE!

Eis que surge o mistério,
do escuro do quarto,
do silêncio da noite.

Eis que surge David Bowie
de terno azul clarinho
a me olhar;

Eu dormia profundamente
estava frio lá fora
o vento batia na janela...

Eis que David Bowie
começava a me enforcar.

E no fim, o que aconteceu?
David Bowie queria me matar?!

Não, não, era sonho meu.

[2009]
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A POMBA

Tarde solitária,
mergulhada no café amargo...
Entre arte e simbolismo:
o céu está azul,
mas acontece que
me sinto entorpecida
A ausência entrava em
mim, como a brisa leve
na janela; sentia a nostalgia
das músicas de 69...
Um golpe na janela me fez
levantar friamente,
Passeio com fúria,
atravesso o corredor,
a sala vazia me entristece
Penso em tiros!
... e na cozinha me deparo
com objetos cortantes e sangue.
O sangue faz pontinhos pelo chão,
vejo um assassinato na lavanderia
Lá estava eu, em silêncio, olhando
e vendo talvez uma possível dor, não
sentida.
Fora assim, mais uma vez, a poesia de
forma gélida e escultural, veio até mim...

[2009]
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SÓLIDO, LÍQUIDO, GASOSO

Tenho estado só,...
e assim, já não sei
em que estado estou;
No auge de minha alma
anárquica, não ter estado
até que não é uma coisa tão
ruim assim

Nesse "não estado", escuto vozes,
converso com as cortinas,
chego a fazer pedidos
felizes às estrelas de plástico
que despregam do meu teto sem parar

Canso-me de olhar para as fotos,
canso-me de sentir saudades,
canso-me de ser apenas mais uma.

[2009]
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PIERROT

Todo colorido
por dentro e por fora,
você faz malabares com
os raios de sol,
sua clava é o meu
caleidoscópio,
sua viagem é a minha pira,
seu movimento, a minha vertigem.

[2009]

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