sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fase: Rimas neuróticas...


NUVENS CÚMULOS

Estrada infinita,
kilômetros e curvas
Corrida para um abraço
Abraço de nuvem,
abraço apertado,
transparente, esfumado
Me trás alegria
essa nossa ironia
Entre isso e aquilo
os outros podem ver
Mais o que eu quero
é chegar antes,
adiantada, ofegante,
sempre a esperar.

[2009]
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SOBRE MIM


E eu,
que vivo cercada de sessões noturnas,
diabólicas por excelência,
regadas a textos criptografados,
analgésicos e café preto...
E eu, que tenho medo do escuro, sou
confusa e já relatei ter ouvido vozes...
Eu, que ainda não tenho um guarda-chuva
contra o tédio, gosto da chuva bem fininha...
Eu, que não imagino moléculas, já conversei
com um frasco de adoçante sobre a mesa;
Eu, que nunca te encontro, não desculpo
o seu estereótipo, o teu andar corriqueiro...
Eu, que para dormir, imagino aspirais da
vertigem, cores quentes, cores frias,
passo à noite olhando as manchas no teto...
Eu, que já me acho toda errada, deixo
a sonoridade emergir;
Eu, que tenho a memória fraca, nunca me
esqueço de você...
Eu, que já nem sei mais quem sou, tenho
saudades de mim.

[2009]
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VENHO TENTANDO TE ENCONTRAR


Gotas pingando metodicamente,
obssessão- compulsiva,
neurose radioativa;
barulho de relógio e queixas noturnas...
Hipocondríaca de incanações,
perfeccionismo na micro-poesia...
A paranóia é parabólica!
- Você ainda não se cansou disso?
- Sem reação antibiótica.

[2009]

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